Mônica Armada denuncia calvário da enfermagem na pandemia

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Em artigo publicado no blog da jornalista Lu Lacerda, no Portal IG, a presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio, Mônica Armada, denuncia os graves problemas enfrentados pela categoria durante a pandemia de coronavírus e aponta a responsabilidade do governo federal na disseminação da
covid-19.

Temos orgulho da nossa missão de cuidar das pessoas quando elas estão mais vulneráveis, o que fazemos por vocação e também movidos pelo compromisso de oferecer o melhor atendimento de saúde possível à população. Contudo, não podemos deixar de denunciar o verdadeiro calvário que os profissionais de enfermagem enfrentam durante a atual pandemia de coronavírus. Além da grande quantidade de profissionais infectados, nada menos que 52 deles perderam a vida no estado do Rio de Janeiro.

Problemas nas redes federal, estadual e municipal de Saúde, bem como no setor privado, os quais o Sindicato dos Enfermeiros e várias entidades de trabalhadores da saúde vêm apontando há tempos, ganharam contornos dramáticos no curso da pandemia. A falta dos equipamentos de proteção individual adequados e de insumos, bem como a carência de pessoal, tornou o combate ao vírus assassino uma jornada heroica.

Além das denúncias através da mídia e da realização de protestos de rua, não hesitamos em apelar para o Judiciário, na luta para que a categoria disponha de condições estruturais mínimas para atuar no combate à covid-19.

O reconhecimento do nosso valor pela sociedade, na forma de aplausos das pessoas em isolamento e matérias nas rádios, jornais, televisão e Internet não evitou, porém, os seguidos atrasos no pagamento de salários por parte dos responsáveis pela gestão de unidades de saúde do estado e da prefeitura do Rio. Com frequência, tivemos que recorrer à Justiça do Trabalho para que o mais elementar dos direitos trabalhistas, o recebimento do salário, fosse honrado.

Vale lembrar que, até hoje, o 13º salário de um grande contingente de servidores da Prefeitura do Rio não foi pago. Nós nos somamos também à campanha por vacina para todos, enfrentando a necropolítica do governo Federal, baseada na minimização da maior tragédia de saúde dos últimos 100 anos, no descaso irresponsável em relação às medidas protetivas e na permanente afronta à ciência.

Estudos de instituições sérias mostram que, se a performance do Brasil no combate ao coronavírus seguisse a média dos outros países, pelo menos 150 mil mortes poderiam ter sido evitadas. O atraso na vacinação entre nós é um reflexo da posição medieval e antivacina adotada pelo presidente brasileiro. A conta-gotas, os profissionais de saúde começam a ser vacinados, mas em um processo eivado de irregularidades, a exemplo de servidores administrativos recebendo a vacina em detrimento dos que lidam diretamente com pacientes com covid-19. Por isso, o sindicato abriu um canal de denúncias em seu site. Todas as centenas de reclamações foram encaminhadas ao Ministério Público.

Por outro lado, um simples plano de contingência teria evitado que 600 doses de vacina Coronavac fossem submetidas à temperatura aquém da exigida para sua conservação, devido a uma queda da energia e falha no gerador no Hospital de Bonsucesso.

É inadmissível que um insumo precioso como essa vacina não tenha merecido sequer a adoção de uma medida simples, como o plantão de um servidor, para acompanhar eventuais quedas de energia e tomar as providências necessárias. Por fim, reiteramos que seguiremos na luta para que os aplausos que recebemos sejam acompanhados de valorização profissional e condições dignas de trabalho, para que possamos atender, com qualidade, as pessoas.

Mônica Carris Armada é enfermeira e presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio (SindEnfRJ).