As maternidades geridas pela Prefeitura do Rio estão passando por um momento delicado que pode afetar o atendimento da população. É o que tem constatado o Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro (SindenfRJ) após diversas denúncias de irregularidades envolvendo o fim do contrato da Secretaria Municipal de Saúde com a Fundação Rio Saúde. Após esse término, as unidades Leila Diniz (Barra da Tijuca), Carmela Dutra (Lins de Vasconcelos) e Maria Amélia (Centro) estão vivenciando um processo de transição para serem administradas pelas OSs Igedes e SPDM. Mas, esse trâmite vem acontecendo sem que a legislação trabalhista vigente seja devidamente cumprida. Os relatos, constatados, em parte, pela presidente do SindenfRJ, Elizabeth Guastini, em visita à Maternidade Leila Diniz, apontam para um cenário de insegurança jurídica e precarização do trabalho, com redução salarial, inadimplência rescisória, assédio e coação, dentre outras coisas.
Os servidores e profissionais de Saúde que atuam nessas unidades denunciam que, com a saída da Rio Saúde, as demissões têm ocorrido sem o pagamento das devidas verbas rescisórias. Além do mais, as contratações feitas pelas novas OSs estão ferindo o princípio da irredutibilidade salarial, com muitos funcionários sendo chamados de volta para receberem valores menores. Considerando a gravidade dos fatos, o SindenfRJ enviou um ofício ao secretário Municipal de Saúde, Rodrigo Prado, e aos gestores das OSs Igedes e SPDM cobrando esclarecimentos e estipulando um prazo de 48 horas para a resposta. Caso isso não ocorra, o sindicato pretende acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ), o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RJ) e as comissões de Fiscalização da Câmara Municipal para que as denúncias sejam formalizadas e nem a dignidade dos trabalhadores nem a continuidade e a qualidade do atendimento materno-infantil da rede municipal sejam afetadas.